Não dá pra te amar em uma noite e na manhã seguinte tentar me convencer de que foi só mais uma casualidade. Porque daqui a algum tempo- talvez quando eu estiver tomando café, ou daqui a dez anos, enquanto espero o sinal abrir, vendo uma fila enorme de carros em minha frente- eu vou lembrar de você. Porque nada é tão casual, tão fútil, que não seja lembrado em algum momento- mesmo que rapidamente. Não me leve a mal. Não estou dizendo que você se compara a coisas fúteis... Só estou tentando te explicar, que a sua lembrança será inevitável. E que, mesmo que não seja nada romântico, eu sei que há grandes chances de que um dia nós possamos nos separar por um motivo qualquer, tão menor que o nosso sentimento. Você entende, agora? As pessoas cometem erros e esses erros, na maioria das vezes, levam algo que elas amam. Seja lá o que for.
Outro dia uma amiga pôs baralho para mim e as cartas diziam que uma pessoa iria entrar na minha vida e me transformaria. Seria um grande amor. E o que achei? Terrível! Por que, eu já te conhecia, você já estava em minha vida. Eu não quero nenhum grande amor que não seja o seu. Eu queria tanto poder mudar tudo isso, mandar o futuro amor pro espaço... Por isso quero que você saia daqui agora. E o que tudo isso tem a ver com te amar em uma noite e tudo o mais? Bem, como já disse, sua lembrança será inevitável. E eu tenho tanto medo de que você se torne só uma daquelas lembranças ‘rápidas’... Por isso eu prefiro acreditar que eu posso mandar no meu destino. Portanto saia já daqui. Mas depois volte correndo pra mim e me fale de todas as coisas que você não me falou. Eu vou querer saber muito sobre a mulher que acaba de entrar em minha vida. Percebe? Você estará entrando novamente em minha vida. E eu terei a sorte de te amar mais uma vez. Tudo é cíclico. E é nessas palavras, talvez meio bobas, que meu amor mora e me trás sempre de volta até você. É isso o que nos une: o amor. E que se danem os astros! Então vem, amor. Eu finjo que não esperava.
Priscyla Marques.
Gênero: Conto(trechos do conto "Acasos")

oi priscila, gostei do blog. o texto não conhecia, fala de amor, destino e ser seu senhor, dono de sua própria vida; são temas interessantes. o que observo nesse texto é certo equívoco á dar grande peso a um problema que não existe: quando pede para que a sua "amiga" saia e volte de novo movido por uma preocupação com o episódio das cartas. se ele acredita que é senhor do seu destino não deveria dá tanta importância ao que disse a cartomante; e esse recurso discursivo na construção desse texto traz uma frase vaga: alguém vai mudar sua vida, um grande amor - nós interpretamos que um grande amor sempre é bom e que a mudança que ele traz é melhor ainda; nem sempre: um grande amor pode trazer uma tragédia: iracema, luzia-homem, e os casais de Shakespeare são exemplos.
ResponderExcluiressa parte do conto poderia ser escrita de outra forma, o que lhe daria mais coerência e verossimilhança narrativa.
a ideia geral trata de modo bem moderno o amor, numa oposição ao amor clássico: eterno e ideal, aqui o amor é real e sóbrio, embora ainda se encontre algo de "romântico".
quando se discute esses temas sempre lembro de dois poemas: o amor é o fogo que arde... do camões, como modelo do amor clássico e soneto de fidelidade, do vinícius de moraes, como ilustração do amor moderno.
a respeito do seu perfil quando você diz que sua arma é a literatura lembrei de uma poesia minha:
Poema Para Uma Vida
Minha arma é uma rosa;
O alvo um coração;
A bandeira, o amor;
Meu recôndito, um bar;
E a luta é uma foda.
tentei traduzir o ideal romântico de literatura apaixonada e revolucionária. acredito que possa coincidir com algo que você tenha exposto em sua palavras.
espero que tenha contribuído em algo com minhas considerações.
e espero mais outras postagens, afinal ler é uma forma inquieta de procurar entender a dor de seu coração.
muito bom viu
ResponderExcluirum bjo do seu fã
amor se escreve sempre tão bem, que nunca é fácil fazer um comentário. Mais fazia tempo que não via uma escritora igual a você. você sempre me emociona com seus contos, eles são sempre profundos é como se você vivesse eles. Beijos e continue sempre assim, te breve :)
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